Um termóstato natural de 10 °C, a custo marginal

O túnel é a perfuração. Acrescentar circuitos geotérmicos enquanto escavamos custa uma fração de uma instalação autónoma. Resultado: aquecimento no inverno, climatização no verão e uma só infraestrutura que serve duas vezes.

Esquema de geotermia de uma estação: pavilhão envidraçado à superfície com bicicletas, circuitos geotérmicos vermelho (calor) e azul (frio) descendo a 10 m de profundidade até uma rocha a 10 °C constantes, ligados a uma bomba de calor
Princípio: dois circuitos enterrados (fornecimento de calor no inverno, rejeição de calor no verão) ligados a uma bomba de calor. A rocha a 10 m mantém-se a ≈ 10 °C em qualquer estação do ano.

Porque funciona: a rocha não « sente » o inverno

À superfície, a temperatura varia enormemente — de mais de 30 °C no verão a menos de −25 °C no inverno em Quebec. Mas essa oscilação amortece muito depressa em profundidade: o solo funciona como um gigantesco volante térmico. A uma dezena de metros, quase nada resta da variação sazonal da superfície.

Rocha a 10 m
≈ 10 °C

Estável todo o ano, tanto no verão como no inverno. É o mesmo número que a profundidade das nossas estações.

Variação a 10 m
± 1 °C

A diferença entre janeiro e julho a esta profundidade é mínima — praticamente constante.

À superfície
−25 a +30 °C

Mais de 55 °C de amplitude anual. É precisamente o que evitamos ao ir buscar o calor em profundidade.

Profundidade das estações
~10 m

As nossas estações já descem a esta profundidade — a geotermia está ao alcance da mão.

Duas fontes gratuitas, já debaixo dos nossos pés

A estação beneficia, na realidade, de uma dupla vantagem térmica própria da nossa rede, que nenhum edifício comum à superfície possui:

1. O ar morno do túnel

O ar do túnel mantém-se em torno dos 10 °C graças à rocha, e sobe naturalmente na direção das entradas. Uma estação encostada ao túnel não parte, portanto, do ar glacial da rua: parte já dos 10 °C. É calor já pago pela ventilação — basta recuperá-lo.

2. A geotermia da rocha

Circuitos enterrados ao lado da estação trocam calor com a rocha a 10 °C: dela se extrai calor no inverno e para ela se rejeita o calor no verão. O mesmo furo serve nos dois sentidos, ao ritmo das estações do ano.

A nuance honesta. Um solo a 10 °C é morno, não quente. Para levar uma estação aos 20 °C é preciso uma bomba de calor — e uma bomba de calor consome eletricidade. A geotermia não elimina, pois, a fatura: divide-a por 3 ou 4. Por cada 1 kWh de eletricidade injetado, a bomba de calor entrega 3 a 4 kWh de calor (é o seu « COP »). É excelente, mas não é zero — e dizê-lo com clareza torna o argumento sólido perante um engenheiro.

O cálculo, para uma estação tipo

Uma estação de entrada é um ambiente exigente de aquecer: pavilhão envidraçado, portas que abrem sem parar, corrente de ar permanente (efeito de chaminé do túnel). Admitamos que uma estação assim exige o equivalente a 100 kW de aquecimento de ponta em frio intenso, e comparemos três formas de a aquecer:

Modo de aquecimentoEletricidade consumidaVeredicto
Convetores elétricos (aquecimento direto)100 kWSimples, mas caro. A referência a bater.
Bomba de calor geotérmica (COP 3,5)≈ 29 kW≈ 70 % menos eletricidade para o mesmo calor.
Nenhum aquecimento0 kWEstação a alguns graus acima de zero, pisos escorregadios. Inaceitável num espaço de acolhimento.

No verão, o mesmo sistema climatiza gratuitamente. Durante a onda de calor, a rocha a 10 °C torna-se um poço de frescura: a bomba de calor inverte o seu ciclo e refresca a estação rejeitando o calor no solo. Um só investimento, dois usos — aquecimento no inverno, climatização no verão. É a vantagem mais forte da abordagem.

O que isso muda na fatura da rede

O aquecimento e a climatização das entradas já estão contabilizados na rubrica energia do orçamento de exploração (9,5 M$/ano), dentro da parcela « estações ». Hoje esse valor pressupõe um aquecimento elétrico direto. Ao passar à geotermia, isolamos esta despesa e reduzimo-la fortemente:

Rubrica (aquecimento + climatização das 150 estações)Elétrico diretoCom geotermia
Energia anual estimada10 a 14 GWh3 a 4 GWh
Custo anual (≈ 8,5 ¢/kWh, Hydro-Québec)≈ 0,9 a 1,2 M$≈ 0,3 M$
Poupança anual≈ 0,7 a 0,9 M$/ano

Em valor absoluto, a poupança continua modesta à escala de um orçamento de ~194 M$/ano — a eletricidade já é barata no Quebec. O verdadeiro ganho está noutro lado: a geotermia fecha uma questão que qualquer avaliador colocará (« como se aquecem 150 entradas num inverno quebequense? ») e transforma um ponto cego em argumento — uma rede de transporte que se torna também uma infraestrutura energética sóbria.

Uma infraestrutura, duas funções

Porque já escavamos 150 km de túneis e 150 estações a 10 m de profundidade, a geotermia surge quase gratuitamente. Aquece no inverno, climatiza no verão, reduz em 65 a 75 % a eletricidade das entradas e reforça o argumento de independência energética do projeto — apoiado na hidroeletricidade e, agora, no calor do solo quebequense.

A reter