≈ 212 M$/ano — cenário realista 2030, tudo incluído
Intervalo consoante os cenários: 174 M$/ano no mínimo, 272 M$/ano no máximo. Ou seja, cerca de 2,4 % do custo de construção — um rácio normal, e até prudente, para este tipo de infraestrutura. Este total inclui agora todas as rubricas durante muito tempo ausentes: cenografia imersiva (≈ 15 M$), vaivéns otimizados (15 M$ em vez de 10), drenagem, geotermia e fosforescência.
Base de cálculo: montantes em dólares constantes, sem inflação. Este orçamento cobre a exploração e a manutenção anuais — não inclui a amortização do capital de construção nem os juros de empréstimo, que dependem do modelo de financiamento escolhido (empréstimo público, PPP, subsídio) e se calculam à parte.
O que este cálculo acrescenta. Cinco rubricas durante muito tempo invisíveis ou subestimadas são agora explícitas. A drenagem (≈ 3,8 M$) e a geotermia (≈ 1,0 M$) já estavam contadas, diluídas noutras linhas — isolá-las não altera o total. Em contrapartida, a manutenção da cenografia imersiva (≈ 15 M$, dos quais ~11 novos), os vaivéns otimizados (de ~10 a 15 M$, ou seja +5) e a fosforescência (≈ 0,6 M$) acrescentam custo real: o orçamento realista passa de 194 para ≈ 212 M$/ano. Nenhum número está inflacionado — torna-se visível o que faltava.
1. O pessoal
A rede funciona como um verdadeiro serviço de transporte coletivo. Os custos incluem os salários encargos (benefícios sociais e contribuições, ou seja o salário + ~30 %). Conta-se cerca de 1 700 horas produtivas por colaborador a tempo inteiro e por ano.
| Categoria | ETI | Custo anual (M$) |
|---|---|---|
| Patrulheiros de bicicleta (50 na hora de ponta, 20 fora de ponta) | 150 | 11,2 |
| Central de controlo (10 postos, 24/7) | 52 | 4,3 |
| Tripulações dos vaivéns + terminais (frota otimizada ≈ 26 camiões + 4 barcos) | 90 | 7,0 |
| Técnicos de manutenção (eletromecânica, engenharia civil, limpeza) | 120 | 10,2 |
| Mecânicos da frota de bicicletas | 60 | 3,8 |
| Pessoal das estações e apoio ao cliente | 60 | 3,5 |
| Gestão, administração, TI, finanças, RH, marketing | 70 | 7,0 |
| Total pessoal | 602 | ≈ 47 |
Como se calcula a cobertura
Três equipas alternam consoante a afluência. A passagem das «pessoas em simultâneo ao serviço» para os ETI anuais faz-se pelas horas-pessoa (um posto ocupado 24 horas por dia todo o ano exige cerca de 5,15 ETI):
Hora de ponta: 50 × 7 h = 350 h/dia. Fora de ponta: 20 × 17 h = 340 h/dia. Total 690 h/dia × 365 ÷ 1 700.
10 postos × 24 h = 240 h/dia × 365 ÷ 1 700. Vigilância das câmaras e coordenação, em contínuo.
Frota ≈ 26 camiões + 4 barcos, cadência a cada 1,5 min na hora de ponta. Condutores em 3 turnos (24/7), tripulações dos barcos no verão e pessoal de terra dos terminais.
Frequência dos vaivéns Québec-Lévis: partida a cada 2 minutos na hora de ponta no arranque, apertada a ~1,5 minuto na maturidade (frota de ≈ 26 camiões), mais espaçada fora de ponta. Uma vigilância em 10 postos para 1 500 câmaras pressupõe uma boa assistência da IA, que só faz subir aos operadores os alertas pertinentes.
2. Manutenção, energia, vaivéns e arrendamentos
A mão de obra de manutenção já está contada acima; esta secção cobre o material, as peças e os contratos. As estruturas de betão são duradouras e quase sem manutenção significativa durante 30 anos — são os sistemas eletromecânicos e sobretudo a frota de bicicletas que dominam.
O detalhe da energia: 94 000 MWh/ano
A rubrica «energia» decompõe-se em seis utilizações. Ao tarifário da Hydro-Québec considerado (≈ 8,5 ¢/kWh), a eletricidade total fica em ≈ 8,0 M$, à qual se somam ≈ 1,5 M$ de geradores de emergência e ensaios. A bombagem e drenagem é a sua 4.ª rubrica — aparece aqui explicitamente pela primeira vez.
| Utilização energética | MWh/ano | Custo (M$) |
|---|---|---|
| Ventilação | 44 000 | 3,74 |
| Estações (aquecimento, climatização, equipamentos) | 20 000 | 1,70 |
| Iluminação LED + gobos | 12 000 | 1,02 |
| Bombagem e drenagem | 9 000 | 0,77 |
| Recarga das bicicletas elétricas | 5 000 | 0,43 |
| Controlo, telecom, câmaras | 4 000 | 0,34 |
| Subtotal eletricidade | 94 000 | 8,00 |
| Geradores (emergência + ensaios) | — | 1,50 |
| Total — rubrica «Energia» | — | 9,50 |
As rubricas de manutenção e exploração
A mão de obra de manutenção já está contada no pessoal; esta secção cobre o material, as peças e os contratos. A drenagem e a geotermia, até aqui diluídas em «Manutenção túnel + estações», são agora isoladas nas suas próprias linhas. Cada uma combina a sua parte de eletricidade (retirada da rubrica «Energia») e a sua parte de manutenção.
| Rubrica | Custo anual (M$) |
|---|---|
| Energia (eletricidade + geradores, excluindo drenagem, geotermia e revestimento) | 7,4 |
| Drenagem e bombagem (eletricidade das bombas 0,77 + manutenção: bombas, poços, limpeza dos drenos 3,0) | 3,8 |
| Geotermia das estações (eletricidade das bombas de calor 0,3 + manutenção 0,7) | 1,0 |
| Revestimento imersivo (cenografia da «simulação da natureza»: LED, gobos, som, ecrãs das estações, películas sacrificiais, vandalismo) | 15,0 |
| Manutenção túnel + estações (estrutura, pavimento, ventilação, incêndio, limpeza — excluindo drenagem, geotermia e revestimento) | 25,3 |
| Fosforescência (marcação de evacuação: inspeção fotométrica + provisão de reaplicação) | 0,6 |
| Manutenção segurança (câmaras, postos SOS, drones, IA) + telecom/TI | 18,0 |
| Manutenção da frota de bicicletas (76 000 veículos) | 45,0 |
| Vaivéns Québec-Lévis (combustível, manutenção, terminais — excluindo salários, frota otimizada) | 8,0 |
| Arrendamentos e contratos (espaços não possuídos, depósitos, escritórios, terminais) | 4,0 |
| Seguros e despesas diversas (responsabilidade, remoção de neve das entradas, água-esgotos, bilhética) | 18,0 |
A drenagem: uma carga que nunca dorme. O túnel passa por sítios sob o nível freático: a água infiltra-se em contínuo e tem de ser bombeada 24 horas por dia em 150 km, além da condensação estival. Ao contrário da ventilação, que se modula à noite, as bombas nunca param — daí uma eletricidade de ≈ 0,77 M$/ano (9 000 MWh, ou seja 10 % de toda a eletricidade da rede) e uma manutenção de ≈ 3 M$/ano para as dezenas de estações de bombagem (bombas submersíveis substituídas por rotação, limpeza dos drenos, autómatos), ou seja ≈ 3,8 M$/ano no total.
A geotermia: uma rubrica líquida positiva. Aquecer e climatizar as 150 entradas por bombas de calor geotérmicas (COP 3,5) custa ≈ 0,3 M$/ano de eletricidade e ≈ 0,7 M$/ano de manutenção — ou seja ≈ 1,0 M$/ano. Mas, ao substituir o aquecimento elétrico direto (10–14 GWh) por apenas 3–4 GWh, a geotermia poupa 0,7 a 0,9 M$/ano: é a rara rubrica que se amortiza em exploração. Detalhes na página de Geotermia.
Os vaivéns: a versão otimizada. Enquanto não for escavado nenhum túnel sob o rio, a ligação Québec-Lévis assenta numa frota de ≈ 26 camiões e 4 barcos (capacidade duplicada por veículo: 50 bicicletas por camião). Absorve a hora de ponta e faz passar a rubrica de ~10 para ≈ 15 M$/ano — ≈ 7 M$ de salários (90 ETI, contados no pessoal) e ≈ 8 M$ de operações. Detalhes na página de Vaivéns.
A fosforescência: ≈ 0,6 M$/ano, e zero eletricidade. A marcação de evacuação fotoluminescente recarrega-se passivamente com a luz dos LED já instalados: o seu consumo elétrico é nulo. A exploração limita-se à inspeção fotométrica (~0,1 M$) e a uma provisão de reaplicação amortizada em ~12 anos (~0,5 M$). Detalhes na página de Fosforescência.
A rubrica-chave: a frota de bicicletas. Com 50 000 bicicletas elétricas, 25 000 bicicletas normais e 1 000 quadriciclos em autosserviço, o desgaste é intenso. Os sistemas de partilha de bicicletas custam normalmente 500 a 1 500 $ por bicicleta e por ano. O cenário realista adota ≈ 600 $/bicicleta (45 M$) — mais prudente do que os 30 M$ do dossiê original (≈ 400 $/bicicleta, otimista). É de longe a rubrica mais incerta do orçamento.
A manutenção da cenografia imersiva: ≈ 15 M$/ano
É a rubrica que faltava. O revestimento que transforma um tubo de betão em floresta subterrânea — céu LED, superfícies impressas, gobos, som e ecrãs das estações — tem de ser mantido: substituição dos LED, recalibração, limpeza das óticas, e sobretudo substituição das películas sacrificiais e reparação do vandalismo. A análise dedicada orçamenta esta manutenção em 2 a 4 % do CAPEX de 500 M$.
| Cenário | Taxa anual | OPEX da cenografia |
|---|---|---|
| Otimista | 2 % | 10 M$ |
| Realista (adotado) | 3 % | 15 M$ |
| Prudente | 4 % | 20 M$ |
15 M$ já é o número otimizado. Se a rede apostasse no dinâmico por toda a parte (ecrãs e mapping de vídeo em 150 km), a manutenção subiria para ~45 M$/ano. É porque ~70 % da cenografia é passiva — superfícies impressas, porcelana esmaltada, céu LED que dura 30 a 50 anos — e porque a eletrónica cara está confinada às estações que a rubrica se mantém em 15 M$. Esta opção de conceção já poupa ~30 M$/ano. Detalhes na página de Simular a Natureza.
Destes 15 M$, cerca de 4 M$ já estavam contados (a energia do céu LED na linha «Energia», e uma parte da substituição dos LED e da limpeza em «Manutenção»). Os ~11 M$ restantes são realmente novos — a manutenção própria da cenografia, o som, os gobos, a eletrónica das estações, as películas e o vandalismo. É a rubrica que mais pesa na passagem do orçamento de 194 para ≈ 212 M$/ano (o resto vem dos vaivéns e da fosforescência).
3. O orçamento anual — realista 2030
| Rubrica orçamental | M$ / ano | Parte |
|---|---|---|
| Pessoal (602 ETI) | 47,0 | 22 % |
| Energia (excluindo drenagem, geotermia e revestimento) | 7,4 | 4 % |
| Drenagem e bombagem | 3,8 | 2 % |
| Geotermia das estações | 1,0 | <1 % |
| Revestimento imersivo (cenografia) | 15,0 | 7 % |
| Manutenção túnel + estações | 25,3 | 12 % |
| Fosforescência | 0,6 | <1 % |
| Manutenção segurança + telecom | 18,0 | 8 % |
| Manutenção frota de bicicletas | 45,0 | 21 % |
| Vaivéns (excluindo salários) | 8,0 | 4 % |
| Arrendamentos e contratos | 4,0 | 2 % |
| Seguros e despesas diversas | 18,0 | 8 % |
| Subtotal | 193,1 | 91 % |
| Contingência operacional (10 %) | 19,3 | 9 % |
| TOTAL — realista 2030 | ≈ 212 | 100 % |
As maiores rubricas são a frota de bicicletas (45 M$), o pessoal (47 M$), a manutenção do túnel e das estações (25,3 M$) e a manutenção da cenografia imersiva (15 M$). Os vaivéns pesam 15 M$ no total (8 M$ aqui + 7 M$ de salários no pessoal). Toda a eletricidade da rede — ventilação, estações, iluminação, drenagem e recarga juntas — pesa apenas ≈ 9,5 M$ graças aos tarifários da Hydro-Québec, o que confirma o argumento de independência energética. A drenagem (3,8 M$), a geotermia (1,0 M$) e a fosforescência (0,6 M$) continuam a ser rubricas modestas mas bem reais.
4. Mínimo e máximo consoante as opções
O pessoal é quase fixo (os efetivos estão fixados); o que faz realmente mover o total são a frota de bicicletas, a ambição da cenografia imersiva (2 a 4 % do seu custo) e a decisão de comprar ou arrendar os espaços.
| Alavanca | Mínimo | Realista 2030 | Máximo |
|---|---|---|---|
| Pessoal (efetivos fixados) | 46 | 47 | 49 |
| Energia (excluindo drenagem, geotermia e revestimento) | 6 | 7,4 | 10 |
| Drenagem e bombagem | 3 | 3,8 | 5 |
| Geotermia das estações | 0,8 | 1,0 | 1,3 |
| Revestimento imersivo (cenografia) | 10 | 15 | 20 |
| Manutenção túnel + estações | 23 | 25,3 | 28 |
| Fosforescência | 0,5 | 0,6 | 0,8 |
| Manutenção segurança + telecom | 16 | 18 | 20 |
| Frota de bicicletas (a rubrica-chave) | 30 | 45 | 75 |
| Vaivéns (excluindo salários) | 6 | 8 | 10 |
| Arrendamentos (tudo possuído ↔ muito arrendado) | 1 | 4 | 8 |
| Seguros e diversos | 16 | 18 | 20 |
| Subtotal | 158,3 | 193,1 | 247,1 |
| Contingência operacional (10 %) | 15,8 | 19,3 | 24,7 |
| TOTAL | ≈ 174 M$/ano | ≈ 212 M$/ano | ≈ 272 M$/ano |
| Por utilizador (200 000 utilizadores) | ≈ 870 $ | ≈ 1 060 $ | ≈ 1 360 $ |
O custo por utilizador é calculado sobre 200 000 utilizadores regulares (100 000 intensivos + 100 000 ocasionais) e cobre apenas a exploração: a amortização do capital de construção acrescenta-se por cima, consoante o modelo de financiamento escolhido.
5. Comprar ou arrendar — a ligação com a construção
A linha «arrendamentos» depende diretamente de uma opção tomada do lado da construção: se os locais forem comprados (250 M$ em capital), o arrendamento anual é mínimo (~1 M$, sobretudo escritórios e depósitos). Se se arrendar ou reutilizar edifícios existentes, poupa-se este capital, mas o arrendamento sobe para ~6-8 M$/ano.
O compromisso capital ↔ exploração. Ao longo de uma trintena de anos, 250 M$ de terrenos comprados equivalem mais ou menos a 6-8 M$ de arrendamento por ano: é um quase equilíbrio, que muda sobretudo o momento em que o dinheiro sai e quem assume a carga. A decidir ao mesmo tempo que a montagem financeira — o que justifica excluir aqui a inflação e os juros.
6. Reduzir o custo líquido: as receitas
Este orçamento é bruto, antes de qualquer receita. A rede geraria várias fontes de receitas a subtrair para obter o custo líquido real:
- Aluguer de bicicletas e trotinetas elétricas em autosserviço em cada estação
- Tarifação de acesso à rede (assinatura mensal ou anual)
- Publicidade nos túneis e nas estações
- Concessões, comércios e estacionamentos seguros nas entradas
Uma tarifação mesmo modesta — da ordem de 30 a 50 $ por mês por utilizador regular — cobriria uma parte importante, ou mesmo a totalidade, do orçamento de exploração anual.